sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Areia até aos ossos







Gostei muito de ter conhecido o Sahara. Adorei a areia fina que massaja os pés, a luz, a sensação de fim do mundo conhecido, habitado. Se formos com alguém especial pode até ser muito romântico, mas em qualquer circunstância é algo que não se esquece. Nunca estive em lado nenhum que tivesse um silêncio tão puro, nem mesmo o alto mar quando tudo está calmo.

Claro que, como sempre acontece, é preciso um tempo depois das viagens para pensar sobre o que se viu, avaliar, crescer. O Sahara em si não me mudou em nada. Continuo o mesmo sacana egoísta. Mas fiquei a gostar da ideia de imensidão. Não só não me assusta como acho que retempera. Precisamos de perder para apreciar e o deserto tem qualquer coisa que nos transpõe para as caravanas dos tempos do início da humanidade, quando não havia gps e quase tudo era divino.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O estranho caso de Fortune Chukwudi







Parece que o capitão da selecção nacional de futebol Nigeriana de Sub-17 tem afinal ... e pelo menos ... 25 aninhos. Para ler aqui e aqui.

Eu e o meu pai, quando estamos a ver bola juntos e vemos jogos dos juniores Portugueses, Espanhóis, etc contra a selecção do Gana, Nigéria, Costa do Marfim & Cia bem achamos estranho os pequenotes não ganharem as primeiras bolas, as segundas bolas, as terceiras bolas ... bem, não ganharem bolas nenhumas.

E tudo isto me lembra o caso do Leandro Lima, aquele engraçado jogador que o Fóculporto (esse clube tão transparente) foi buscar aqui há uns 4 anos ao Brasil e que foi apresentado como Leandrinho e mais tarde se veio a saber que era Leandrão ... (aqui)

Hilariante foi quando os jornalistas perguntaram à mãe "afinal em que ano nasceu o Leandrão?" e a própria mãe ter dito que não se lembrava ... claro, claro. Acontece muitas vezes, trazer uma criança no ventre nove meses, trabalho de parto, etc e depois esquecer-se em que ano é que tudo aconteceu. Era mais fácil perguntarem qual tinha sido a década, não é? Pois. Compreendo. Imagino que nem o próprio Pôncio Monteiro conseguisse lavrar uma certidão de nascimento igual àquela.

Porque o melhor do mundo são as crianças. Sempre me disseram.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Porque o pobre estado da nossa Justiça tem uma explicação e um rosto político ...




... e porque nos devemos sempre lembrar que uma justiça ineficaz - a tal que traz imoralidade à sociedade, nos confere uma imagem de País de terceiro mundo, e nos afasta de investimentos estrangeiros e de uma economia competitiva (se eu posso roubar porque é que tenho que trabalhar mais só para ser melhor?) - sempre aproveita a alguém, aqui fica esta pertinente citação de Mário Crespo, muito bem lembrada por este blog:

"(...)estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca."







Ps- em Fevereiro de 2008, quando este blog comecou, fiz este post. Achei engraçado.

And now for something completely different








Este gordo sempre foi um dos meus preferidos. "Para não ser guloso, está a perceber?"

In the end, the biggest drop is on me





Foi só muito tempo depois de ouvir repetidamente, por muitas auto-estradas e estradas nacionais, e desde há muitos anos a música "Hey" dos Pixies, a qual é uma das minhas bandas preferidas de sempre, que descobri algo surpreendente. Aquela música não era parecida com a minha vida. Aquela música era a minha vida, em particular a minha vida amorosa.

Os desencontros, o amar intensamente alguém mas mesmo assim tudo cair, ser amado por quem não amo, estar acorrentado a alguém que não me ama da mesma forma, o inadiável encontro de amores na altura errada da vida, as decisões essenciais que fizeram toda a diferença mas que poderiam ter facilmente sido em sentido oposto. Mas isso é ... "Hey"!





hey 
been trying to meet you
mmmmmm hmmmmm
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whore in my bed
but hey
where 
have you
been 
if you go i will surely die
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

uh said the man to the lady
mmmmmm hmmmm
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is 
the 
sound 
that THE MOTHER MAKES WHEN HER BABY breaks
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Viagens de aventuras para o ano 2010










Porque só aquilo que vemos e respiramos in loco é que entra verdadeiramente dentro de nós, porque o mundo é uma ervilha, porque é enquanto temos saúde e forças que devemos tentar as viagens mais ousadas e finalmente porque os voos e as estadias sempre ficam mais baratos quando marcados com antecedência, vejam este artigo.

E se por acaso forem para a Papua Nova Guiné, pode ser que o gajo a fazer palhaçadas na água e a cantar em registo de fado o "foi um touro que o matoooooou..." até seja assim a dar para o Sacana. 




Ps. Uma das coisas detestáveis na vida dos solteiros é que nada parece feito à nossa medida. Já não bastavam as embalagens com porções industriais de alimentos no super-mercado, como ainda temos que "inchar" montes de suplementos por irmos sozinhos nas viagens.... joder coño joder.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

We need to talk about infertility







Depois da impotência, da homossexualidade e do eterno "a minha sogra é um boi", falar de infertilidade, sobretudo para os homens, é um dos temas mais difíceis que uma relação heterossexual adulta e consequente tem que enfrentar.

Mas há respostas. Aqui. Ou num médico perto de si. E nada me apraz mais do que a ideia de bons e boas sacanas a dedicarem o seu tempo à produção eficaz de pequenos sacanóides, daqueles capazes de semear o pânico desde a maternidade ao lar de terceira idade. You go and make Pulha proud.







Sobre a beleza na Bíblia











Sobre a ignorância de Saramago (para não falar em desrespeito infame perante uma religião de milhões, ou no propósito comercial de vender melhor o seu livrozeco valendo tudo para tal efeito) já Richard Zimler, muito melhor que qualquer outro, escreveu aqui.

Mas este fim-de-semana, enquanto folheava "A leitura infinita" de José Tolentino Mendonça (editado pela Assírio & Alvim), deparei-me com isto. Pareceu-me por demais belo, simples e intemporal.

GEN 29, 17 C - 20

"Raquel era esbelta e de belo rosto. Jacob amava Raquel e disse a Labão "servir-te-ei sete anos por Raquel, a tua filha mais nova". Labão respondeu: "Melhor é dar-ta a ti do que a qualquer outro. Fica em minha casa". E Jacob serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram apenas alguns dias, tanto era o amor que por ela sentia".


Quem ama, serve por quem ama.




PS - Quando regressei a Lisboa (estive a Sul) dei uma olhada na Bíblia para confirmar este trecho. Descobri (eu não tenho qualquer educação religiosa) que não só era exactamente assim, como igualmente que Labão na altura de dar a mão de Raquel a Jacob, exigiu deste sete anos adicionais de trabalho (sob o argumento de que os primeiros sete anos apenas lhe "davam" direito a Lia, a filha mais velha). Mas Jacob, que amava Raquel profundamente, aceitou. E foram felizes.

domingo, 1 de Novembro de 2009

The true Mr. Wolf










É demasiado fácil fazerem-se elogios póstumos. E não poucas vezes cobarde também. "Se a pessoa era assim tão boa porque é que nunca lhe disseram isso enquanto andava por cá?". Touché. Por esses e outros motivos prefiro abster-me de comentar notícias fúnebres.

Sucede todavia que o António Sérgio me acompanhou em muitas noites da minha vida. Tinha uma voz nocturna que soava a Deus. Que nos tocava. Que era intimista. E uma escolha de músicas que realmente se destacava numa rádio Portuguesa tão vendida ao comercial, ao fácil e ao medíocre. Mesmo sabendo que o António Sérgio será recordado por ser visionário, eu gostava especialmente era quando passava blues da velha escola ou rock da pesada, coisas que o tempo se encarregara de arquivar mas que o António sabia que os apreciadores de boas malhas não poderiam deixar de adorar. Eu sempre gostei daqueles que pensam pela sua cabeça e se demarcam das exigências das massas. 

See you around, Wolf.


sábado, 31 de Outubro de 2009

E o prémio "obrigado por teres vindo" vai para ...

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Momentos Chaplin. A triste arte de ser bondoso, dar ares de vagabundo e sonhar com alguém que repare.




Muito poucos nos descreveram tão bem.





in As Luzes da cidade



(e quem não viu, devia ter visto)

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Homem moderno fez sexo com Neandertais







Oh Deus. Não só somos sexualmente perversos como a coisa já vem de trás. A notícia está aqui.

Mas sou da opinião que as investigações não devem ficar por aqui. Pelo contrário, acho que há muito mais a apurar:

1. Que tipo de sexo havia entre o homem moderno e o neandertal? Consentido? Marsellus Wallace "bring out the gimp" stuff? ou mais do género "Poooor iiiiisso ... vivo para a música, canções que canto, a alegria e o encanto"?

2. Digam-me sem rodeios. Quem ficava por cima?

3. Haviam ... preliminares?

4. E depois? Esperem, deixem-me adivinhar .... abracinho e cinema?

 5. Já foi identificado algum dos neandertais em causa? Procuraram bem entre a claque dos Super Dragões? e entre o pessoal da camionagem? é ver bem quem é que tem esses pêlos todos nas costas ... mesmo os manos Castro, campeões dos 10 mil metros, também me parecem suspeitos. O valor científico seria incalculável. E explicaria tanta coisa.

6. Se um ser vivo estiver no governo e defender a ideia, por entre uma profusão exaltada de roncos mais ou menos parecidos à expressão Françesa "jamais", de que a Sul de Lisboa o que há é deserto ... o ser vivo em questão é mais "homem moderno" ou mais "neandertal"? E no segundo caso, como deve ser alimentado?


Ponto G. Muito mais importante do que saber onde está o Wally.




O meu sonho é ser ginecologista - essa profissão encantadora onde o relógio de pulso muitas vezes acaba por ser usado acima do cotovelo - estar numa consulta a uma paciente (por acaso muita gira), e enquanto estou a fazer as minhas indagações profissionais, perguntar lá de baixo e como quem não quer a coisa:

- Então e esta polémica entre o Saramago e a Igreja Católica, hein?





terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Às minhas queridas amigas Ana & Filipa ...

um muito obrigado pelo convite para jantar. A vossa companhia, o vosso sentido de humor e o vosso fondue ...



... estavam a um nível muito acima do que este velho urso poderia ambicionar. E terem-me deixado ganhar ao buzz tantas vezes foi de uma enorme simpatia e humildade da vossa parte.

(Confirmo. Há mais em Monsanto do que aquilo que os camionistas julgam)

O circo vai começar: algumas notas sobre o novo governo






Nota prévia: acho que a malta que votou no PS para as legislativas, renovando o mandato legislativo a um executivo liderado por uma pessoa que não se sabe se é engenheiro, quando tinha uma alternativa que era uma professora catedrática de Economia, não percebendo afinal que o que estava em causa nestas eleições era macro-economia e não propriamente as opiniões da Manuela Ferreira Leite sobre o casamento de homossexuais, se deveria abster de comentar notícias políticas durante os próximos 4 anos. Ao invés, deveria assumir em toda a linha as graves consequências para o País (largamente antecipáveis, até porque se trata de uma re-eleição) de uma linha de políticas sem estratégia ou visão e que vai empobrecer as futuras gerações.

1. Tal como já aqui escrevi sobre a tomada de posse do Obama e de outros, sou um bocado crítico de um excesso de carnaval a propósito de tomadas de posse políticas, as quais, na minha opinião, devem ser interpretadas com modéstia (face aos grandes desafios a enfrentar) e solenidade;

2. Há pouco para dizer sobre as novas nomeações propriamente ditas, porquanto um trabalho de um governante deve ser avaliado à posteriori. De salientar contudo, a nomeação de uma sindicalista para o Ministério do Trabalho. É um bocado para o visionário, num País onde é preciso dar mais dinâmica à força laboral e onde a legislação do trabalho já é demasiado esquerdista e contrária ao bom funcionamento das empresas (as tais entidades que realmente geram riqueza neste País desgovernado, atraem investimento exterior e põem comida na mesa a quem efectivamente trabalha e mesmo aos outros). É um pouco como dar ao Goering a pasta dos assuntos Judeus. O mais engraçado, é que estamos perante um "presente envenenado" e um falso aceno ao eleitorado de esquerda pura. A André, tal como, suspeito, todos os outros novos "talentos" deste novo executivo, vai seguir à linha exactamente as mesmas políticas que os antecessores socialistas no cargo. E as mesmas políticas são tão de esquerda como eu sou um cabeleireiro transformista brasileiro, residente na Costa da Caparica, e chamado Wanderley;

3. Sobre as saídas pois ... vou ter saudades do Lino (e do Pinho, vá ... um gajo que vai à China dizer "invistam em Portugal porque em Portugal temos mão-de-obra barata" merece entrar na história). Já agora, e por falar em manter as mesmas políticas, já viram bem o preço a que vai sair uma simples viagem de TGV Lisboa Porto? ahahahhahahahah Para quê linhas de alta velocidade quando as alternativas que existem já são suficientes (pelo menos no que respeita a Lisboa-Porto) e quando o cidadão comum só tem dinheiro para o intercidades? Não vai ser um pouco como a malta que deixa as auto-estradas desertas porque só tem dinheiro para ir pela estrada nacional? E quanto ao argumento de que as grandes obras públicas de construção (alô Mota Engil? Podia passar ao Coelho?) vão servir para dar emprego ... mas dar emprego a quem? à população imigrante residente que não paga cá impostos e que é não qualificada? e é assim que se espera aquecer a economia nacional?

4.    Entretanto, no País real, o estado da economia (aquele assunto de que o PS não quis falar na campanha e sobre o qual o eleitorado não inquiriu), ora bolas, vai piorando. Em Setembro, por exemplo, o desemprego disparou... 

5. Por último, tenho visto por aí muita gente a sugerir que este governo não vai durar até ao fim do mandato. Eu, como cidadão e mesmo não se tratando da força política em que votei, acho mal. Os governos têm que ter estabilidade para trabalhar (daí defender o sistema presidencialista norte-americano) e sentido de responsabilidade para não abandonar o barco antes do trabalho estar feito (como o Guterres ou o Barroso). Aliás, não sou contra os vários partidos da oposição (a começar pelo PSD) se entenderem com o governo em funções sobre os assuntos mais importantes (Educação, Justiça, Saúde). Para mim, uma oposição deve ser útil e saber fazer guerra nos assuntos que valem a pena e que são justos. Afinal de contas, se o eleitorado Português preferiu estes governantes, mesmo que em maioria relativa, há que saber respeitar o seu sentido de voto e acreditar nas hipóteses de sucesso a médio/longo prazo.