quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Enough is enough



(vídeo gamado deste blog)


Estou a pensar em enviar este conto a este concurso. Não parece mas é sobre o Natal. Welcome to the dark side of the force.



"Sem perdão e sem Natal

 

Nos noticiários não se falava noutra coisa. Dos jornais, revistas, rádios, televisão, computadores vinham há mais de dois anos permanentes alertas sobre a falta de qualidade do ar, índices de humidade insatisfatórios, surtos de patologias cardíacas associadas a falta de capacidades respiratórias e, como por magia, milhões de descendentes de macacos começaram a cair como tordos. Era oficial, estávamos a poucas semanas de acabarmos todos. Tudo parecia um sonho mas quando acordávamos de manhã a triste verdade continuava a cercar tudo o que éramos, a roubar-nos o ar. A nós, os últimos humanos a povoar a Terra! Como é que chegámos a isto?

 

Não aguentava mais estar em casa. A imagem vã daquele cidadão que estava tão deprimido que nem tivera forças para ir levantar o prémio da lotaria, mergulhou os que restavam num pesado lodo de lágrimas e perguntas. 

 

Então era a isto a que o fim se parecia! Estava tão próximo que finalmente dava para ver o seu rosto, o branco dos seus olhos, o hálito de quem governa absolutamente os destinos das gentes do mundo. E o nosso destino quase imediato mais não seria do que chorar, revirar dúvidas e poisar serenamente sobre a espera por uma falha cardíaca que simpaticamente nos fechasse as vistas com a mesma suavidade com que uma mãe as abre na origem.

 

A maior parte das pessoas ainda saudáveis desistiram dos seus empregos, e viviam os últimos dias a partir do lar, com os seus. Mas eu não. Preferi sair à rua e arrastar os meus ossos até à zona dos bares. Como a Paris de 1940, a meros dias - e depois horas, e depois segundos - da invasão Nazi, a zona dos bares estava cheia, rebentava pelas costuras. Quando estás a poucos dias do fim, o dinheiro deixa de ter a mesma importância. E a normalidade é um refúgio demasiado distante, que custa olhar de frente.

 

As ruas enchiam-se de formas de loucura. Não me apetecia beber mas também não me apetecia ficar em casa. Vi um anúncio de oferta de emprego (já poucos aceitavam trabalhar) numa casa de alterne e resolvi aceitar. Nem sei bem porquê. Seria a vontade de foder? Sim, claro. Mas também o "já nada mais importar". Nem sequer diria aos meus chefes na firma de contabilidade que não contassem mais comigo. Limitar-me-ía a não mais aparecer. E já agora ... contabilidade para quê? o que é que faltava contar? as árvores que atirámos abaixo e que nos deram durante milénios de inspirações e sombra? as águas que sujámos por imprecaução ou abuso? os outros habitantes do planeta a que negámos direito à vida? Mas também essas contas eram afinal polutas. Falhámos. Como raça. A todos e a nós próprios. Nada mais havia para contar.

 

À entrada da casa de alterne, que por acaso se chamava "Copacabana", deparo-me com uma manifestação de padres e afins que agitavam no ar nervosamente a Bíblia. Falavam em perdoar. Falavam no próximo mundo. Tivesse eu próprio forças, e batia-lhes como se não houvesse "o-amanhã-que-já-sei-que-não-vai-haver".

 

- Saiam da frente, vermes. Matámos o planeta, o planeta matou-nos a nós. Deixem lá Deus no seu canto sossegado. Já sabemos que foi o primeiro a abandonar esta terra... e foi o melhor que fez. Não há nada a fazer com gajos como nós! Se pudéssemos até Deus teríamos exterminado. Não há perdão nem para nós, nem para si Padre. O inferno vai descer à Terra para que finalmente haja paz. Percebe? Você e eu... somos o anti-Cristo, o cálice que Jesus afastou.

 

E assim me afastei eu, enquanto descia aquelas escadas para o perfume barato, reflectindo nas linhas que muitos séculos antes Victor Hugo redigira: "Si souffrir nous devons, souffrons sur les tailles"*. Talvez se tivéssemos dado mais atenção ao Natal noutros anos, o caminho se pudesse ter tornado, algures no processo, mais claro. Não o Natal das prendas e dos prazeres materiais, que esse é uma questão de cartão visa e dura o ano todo. Mas o Natal que nos relembra que estamos entregues a nós próprios, que depois de nós, como um todo, nada mais há que nos possa salvar. Um Natal que pressupõe darmos as mãos, nem que seja para saltarmos juntos e com amor sobre o penhasco do nada. 

 

Lamentavelmente nesse ano o Natal chegou demasiado tarde, desprovido do que celebrar, e acompanhado apenas nas cidades vazias por uma perdida telefonia que ecoava sozinha e ad eterno velhas melodias da rádio.

 

 

* “Se temos que sofrer, então soframos nos limites”  (tradução livre)"




Ho ho ho

Sempre quis escrever um conto de Natal em que todos morressem no final...

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Quer ganhar um cheque de compras da FNAC? Pergunte-me como (Grande Concurso "foi um touro que o matou")


1.ª EDIÇÃO DO GRANDE CONCURSO "FOI UM TOURO QUE O MATOU"

O PRÉMIO:

Cheque de compras da FNAC no valor de EUR 25,00. (que nós os sacanas não nos bastamos com um beijinho na cara nem nos vendemos a meros processos de intenções).

O Vencedor só tem que dar uma morada e nós enviamos o cheque de compras por correio (seja em Portugal ou no Estrangeiro). Se preferir pode pedir para o cheque ser entregue a uma instituição de caridade à sua escolha (o que não falta por aí é um menino ou uma menina com vontade de sorrir este Natal).

O MOTIVO:

Distinguir a grande qualidade dos/das sacanas nacionais. O sacana Português não tem menos qualidade do que os outros, pelo que merece ser premiado, acarinhado, protegido, divulgado, imortalizado. Registe-se todavia que o concurso está aberto a todas as nacionalidades e que não teremos proteccionismos. The greatest bastard's mind wins it all.

AS REGRAS:

1. Para concorrer não é necessário recortar o código de barras da embalagem. Ganha aquele que nos mandar por email (obomsacana@gmail.com) o melhor acto, pensamento ou sonho sacana;

2. Não precisa de ser cómico, pode ser apenas reflexivo, cultural, artístico, uma história (desde que seja verídica ... para "Ali Bábá e os quarenta ladrões" já basta a SAD do Fóculporto), sobre viagens, no passado/presente/ou futuro, etc. Tem é que ser alguma coisa com ADN sacana bem visível.

3. O vencedor do concurso, que começa hoje, será anunciado a 12 de Dezembro. Quem ganhar, se quiser, pode manter o anonimato. Contudo o "acto, pensamento ou sonho sacana" que ganhar será sempre publicado no blog (excluídos todos os detalhes que possam ser identificativos de alguém em concreto), até para ser tudo transparente.

4. Por favor, não mandem mails com histórias de como batem nas vossas mulheres ou como encornam os maridos porque "ser sacana" não é a mesma coisa que "ser canalha". E também não confundam "ser sacana" com "ser criminoso" ... ou seja, histórias em como retiraram os travões ao carro do vosso chefe e ele hoje não percebe porque é que só fala em ditongos e se baba do lado esquerdo da boca... pois... serão desqualificados.

5. Cada pessoa só tem duas tentativas.


O JÚRI:

Eu sei que vocês têm fundados receios que eu fuja com o prémio para o Brasil, Tailândia e finalmente uma bela ilha no Pacífico para brincar ao Paul Gauguin com as mulheres locais. Ou então que eu dê o prémio ao melhor par de mamas que se apresentar a concurso. Para trazer credibilidade a esta merda, convidei a APPLE e a PEQUENO OURIÇO, gente bem formada (nada como eu), justas candidatas a Madre Teresa de Calcutá da blogosfera, que terão, juntamente comigo, que dar o voto favorável ao vencedor. Serão uma espécie de representantes do governo civil com poderes de veto.

Agora vão e espalhem a palavra sacana.

Let the games begin.



Porque a única forma de sobrevivermos a segundas-feiras ...





é pensarmos que o mundo é um quintal pitoresco.

Aqui vai uma ampola de som redentor. Um supositório que dá asas.

sábado, 21 de Novembro de 2009

We are all but Christian Vs Troy






O CONTEXTO:

Christian Troy & Sean McNamara. Melhores amigos, cirurgiões plásticos que ganham fortunas a tornar perfeito o imperfeito, uma luta fratricida permanente para ver onde mora a maior pilinha.

Christian, com menos ética e mais a dar pró bruto, surpreende Sean numa das salas de operações a fazer às escondidas uma cirurgia a uma mulher que o mesmo Sean, o tal que tenta ser mais cavalheiro, anda a tentar engatar. Sean, que executava furiosamente uma intensa lipo-aspiração sobre a paciente (com pedaços de gordura a sair que fazem lembrar a Sicasal Carnes, S.A.), tenta envergonhadamente explicar que aquela mulher é especial. (haveria necessidade de o melhor amigo saber que estava a tentar a sua sorte com uma baleia?)

A FRASE:

"Christian: "(with Sean operating on Kate) She seems very special, you just add a mast and a good wind and you can sail her around the planet."


Suave como o rabo de um bébé. E como só um sacana consegue apreciar. Afinal de contas há qualquer coisa de irónico ao insistirmos em amar impossibilidades. 

NIP TUCK SEASON 5.  Nota máxima.




Ps: Ranking das melhores séries Sacanas:

1. Californication
2. L word
3. Dexter
4. Weeds
5. Entourage
6. Nip Tuck


quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Este blog rende-se a José Pedro Gomes



Juro que ía fazer um post sobre o Matisse (até porque gosto sempre de variar a alimentação da sacanagem e esta merda não pode ser sempre a cair no ordinário, "Moreira prometeste-me uma queca", etc ... eu gosto que os meus leitores apanhem secas de vez em quando, mas que, por causa dessas secas, vão a pensar em arte para o trabalho, enquanto estão no trânsito, ou a coçar as bolas, e noutros temas mais elevados que não apenas no banho que têm que dar ao cão, ou como a sogra é um boi ... não esquecer que eu sou um pai tirano e que não me importo minimamente que não comentem o que mais vos custa a ler ... en Français: Je veux pas savoir).

Ía, e irei (um dia destes), falar do desenho de Henri Matisse e da sua devoção à cor, luz e espaço em harmonia... não tivesse eu hoje ido ver a nova peça do José Pedro Gomes ao Casino de Lisboa. E quando eu vou ver o José Pedro Gomes, eu vou ver talento, humor, representação bem feita, com textos bem declamados sem caírem na intelectualidade barata, com tempos de respiração que até passam despercebidos e com caricaturas bem apanhadas. Mais, quando eu vou ver José Pedro Gomes vou ver um tipo de representação que (desenvolvido conjuntamente com o grande António Feio) é um produto específico Português, que só resultaria entre nós apenas porque é um reflexo justo do que nós somos enquanto povo neste dia e hora (ou pelo menos muitos de nós...).

É um pouco por tudo isto, e porque há que elogiar quem o merece, que afirmo com orgulho que José Pedro Gomes é uma muy digna bandeira da cultura Portuguesa. Ao seu estilo e fazendo o seu caminho. Que é o que se pede a um artista, seja aqui seja na China.

Je vous demande pardon, Matisse. Mas vais ter que esperar.






Ps: Melga Shop ... inesquecível


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

E o prémio "the good times are just ahead" vai para ...



Always look on the bright side of life (pausa para assobiar)...

(é que com Queiroz ao leme a Bósnia até treme)

For I'm a lost war (mas vocês salvem-se ...)






Há um pequeno punhado de pessoas que me conhecem na vida real e que sabem que eu tenho este blog. Dessas, a maioria são amigos/ou a minha irmã os quais porque me estão longe da vista mas jamais do coração, têm neste blog um desinteressante canal de acesso ao que me vai na alma. Fora destes últimos há um ainda mais pequeno punhado de pessoas que ao longo da história deste tasco fui conhecendo e que me fizeram uma pessoa (ligeiramente) melhor, pela bondade, ensinamentos e sensatez que souberam trazer até este velho saco de ossos. Num ou noutro caso, lançámos juntos as bases para amizades futuras (a amizade, como é consabido, é um posto ... excepto claro nos partidos políticos, em que é sobretudo uma questão de pastar na lixeira certa e sorrir para as câmaras).

Gostaria de agradecer a todos os que, por aqui e nos mails, me ajudam a ser um gajo melhor. E de todos apetece-me destacar esta alma enorme, em quem me revejo, que merece tudo, tem um excelente sentido de humor e sabe assumir as responsabilidades de ser desinteressada e verdadeiramente amiga.

É, contudo, um mistério como é que, não obstante me encontrar rodeado de pessoas tão boas, me mantenho o mesmo sacana egoísta, materialista, epicurista, etc. Aqui vão uns excertos da nossa última conversa em chat, a título de exemplo. Advirto no entanto que o nonsense estava forte durante os diálogos que se seguem.

"
Ela
descobri que comecei a ler-te há um ano

e queria lembrar-me de como cheguei lá mas não consigo...

achei graça, já ter passado um ano

00:27

Pulha Garcia

 

deve ter sido num daqueles dias de jantares bem regados

00:28

Ela


olha que não...

00:28

Pulha Garcia

 

é normal que não te lembres. nesse dia adormeceste naquela rua detrás de tua casa

 

onde as crianças andam de bicicleta

00:29

Ela

ahahahahha

00:29

Pulha Garcia

 

no dia a seguir cheirava a álcool na Arruda

00:29

Ela

ou na Estrada da Luz

00:30

Pulha Garcia

 

e ainda por cima cheirava àquele tinto carrascão

00:30

Ela

um horror...

00:30

Pulha Garcia

 

nada de tinto frutado ou assim

 

era mesmo do pacote

00:31

Ela

com ou sem torneirinha?

00:31

Pulha Garcia

 

tu é que estavas lá...

00:31

Ela

não, pelo relato tu é q estavas...

00:32

Pulha Garcia

 

não, eu apenas me lembro das pessoas nas notícias a comentarem

00:32

Ela

tens uma excelente memória...

e eu sou motivo de noticia

00:33

Pulha Garcia

 

Anda tudo bem contigo?

 

já não está na hora de te ires deitar e fazer um chichizinho?

00:34

Ela

infelizmente, AINDA não fui a Paris...

(estive a ler os teus comentários)

00:34

Pulha Garcia

 

lá chegarás, minha querida.

00:34

Ela

não tenho sono

00:34

Pulha Garcia

 

É só encontrares o camionista certo

00:35

Ela

ando numa fase de insónias horrorosa

"o camionista certo"....

bem...

00:36

Pulha Garcia

 

sim, um daqueles que se lava

 

com alguns dentes

00:36

Ela

palavras sempre queridas

00:36

Pulha Garcia

 

e já familiarizado com a ideia de desodorizante


(... segue-se um período em que "ela" se queixa da minha insensibilidade sacana, mas durante o qual, mesmo assim, não consegue parar de rir; pedi-lhe autorização para fazer copy paste desta conversa ao que ela me responde que sim, desde que eu admita que ela é a minha "musa" ... o que ela foi dizer...)


01:04

Pulha Garcia

 

por isso teres uma expectativa de me veres a referir-me a ti como musa...

01:04

Ela

não tenho

 

01:04

Pulha Garcia

 

é pedir que eu diga algo chocante... porque eu sou, antes de tudo - não esqueçamos - um sacana velho, amargo

 

torcido

 

pela vida

01:05

Ela

és torcido, labirintico, dificil

mas não és amargo

01:05

Pulha Garcia

 

mal mandado

01:05

Ela

uiii isso sim...

01:05

Pulha Garcia

 

injustiçado pelos media

01:05

Ela

muitissimo mal mandado

01:06

Pulha Garcia

 

esquecido pelos trovadores

 

e pelos cancioneiros

 

e pelos escultores


01:08

Ela

ahahahahahhah


01:09

Pulha Garcia

 

vai dormir

01:09

Ela

às vezes (raras) sou bem mandada....

01:10

Ela

estás a mandar-me p cama?


01:10

Pulha Garcia

 

com essa bubadeira estavas à espera do quê?

01:10

Ela

tu não te desgraces!!

01:10

Pulha Garcia

 

é que ainda por cima és como os alcoólicos

 

achas que não estás alcoolizada

01:10

Ela

e não me irrites os caracóis

01:10

Pulha Garcia

 

são os piores

01:12

Pulha Garcia

 

Chichi cama que eu tenho um copy paste para fazer

01:12

Ela

Se há alguém em interessante estado etilico serás tu e não eu

a mim só me podes acusar de privação de sono

01:12

Pulha Garcia

 

há tanto tempo que eu não bebo

01:12

Ela

água?

01:13

Pulha Garcia

 

Abril de 74 tirou-me toda a vontade

01:14

Ela

e assim me arrancas gargalhadas...

homem, não devias ir dormir?

01:16

Pulha Garcia

 

devia mas os bêbados não me largam

01:17

Ela

como essa frase não é para mim...


01:17

Pulha Garcia

 

é o que um alcoólico responderia

01:19

Ela

vou para a cama

e tu tb devias ir

01:19

Pulha Garcia

 

ora bem. Vais ver que vais ter um soninho descansado

 

ahahhahah

01:19

Ela

preciso...

01:20

Pulha Garcia

 

de mais um copo

 

?

01:20

Ela

não

01:20

Pulha Garcia

 

para o caminho, claro

01:20

Ela

de dormir!!!!

01:20

Pulha Garcia

 

para dar coragem

 

aquele último copo para limpar a tripa


(fim de transmissão)


Paris c'est toujours Paris



Cada um sabe da forma como gosta de Paris. Um pouco como os ovos escalfados na sopa de tomate, ou da eterna questão canzana Vs missionário. 

Eu por mim, gramo Paris no Outono.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

And now for something completely different ...








Eu sei. Parece montagem. Mas não é. O artista é mesmo um bom artista.

Porque não se pode salvar o mundo a partir do sofá (não obstante todas as outras coisas que nos podem acontecer em Sofa Mode) ...







Bora lá plantar uma árvore? Onde? Aqui

O Rambo vai. 



domingo, 15 de Novembro de 2009

Este Sábado houve teatro





"O que se leva desta vida". No São Luiz, uma das mais bonitas salas de espectáculos de Lisboa.

Espontâneo, original, gritado. O debate entre o científico e o natural. Não levem crianças e vão com fome.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Já vai sendo tempo de preparar o meu sarcófago ... (como vai ser a minha inscrição funerária)


Aqui há tempos uma querida amiga, historiadora e que se dedica (entre outras coisas) a organizar exposições, ofereceu-me um livro sobre a recuperação do Museu da Quinta do Conventinho, em Loures (um espaço aliás, que merece bem a vossa visita).

Sucede que nos trabalhos de recuperação da Capela do Convento do Espírito Santo (onde hoje fica parte do Museu), encontraram um sarcófago pertence a um nobre que viveu no Séc XVI, chamado D. Luís de Castro Rio (vocês não se lembram dele porque ainda não eram nascidos, mas posso-vos adiantar que era um bom copo, amigo dos seus amigos e que passava o seu tempo a ler manuscritos em papiro com imagens de gajas nuas; era também conhecido por gastar fortunas no poker online e por chorar no Natal quando via o clã Carreira no Natal dos Hospitais ... bastards, is takes one to know one).

Sucede que no sarcófago dele aparecia escrito em latim (vou já fazendo a tradução):

"Enquanto vivi, revolvia no (meu) pensamento várias diligências. Na verdade, o repouso no sepulcro que estava distante, chegou agora para mim. Se alguma vez aqui vieres, Ó leitor, ler (esta) pedra, a nada renuncies (...). Oxalá (a alma) alcance o céu" Tudo muito bonito, sem dúvida. Jolie, na verdade. Júlia Pinheiro's stuff.

Ora isto fez-me pensar: "E tu Pulha? Que planos tens para o teu sarcófago? Que inscrição funerária?".

Bem, em primeiro lugar, o meu sarcófago não precisa de ser em ouro como o da imagem (apesar de, se fizerem questão, estarem sempre à vontade para me mandarem ouro, pedras preciosas, etc ... tentarei dar um uso verdadeiramente sacana a tudo o que me chegar ... em vossa honra, claro). Lá dentro, para me acompanhar na viagem até ao outro mundo, tenciono levar (mas não vestida) alguma da lingerie que as mulheres que mais me marcaram usaram em tardes, noites, madrugadas e pequenos-almoços que nunca poderei esquecer e que entraram por mérito próprio na história universal da queca sacana.

E quanto à inscrição funerária. Admito que pensei muito nisto. No início estava inclinado para a menção do trolha mais bonita que conheço. A encantadora, romântica e suave "Oh jóia! vem ao ourives!". Mas depois cheguei à versão certa (peço silêncio e serenidade da vossa parte para o que se segue):

"Javi Garcia recupera no meio-campo. Coloca imediatamente em Aimar que de cabeça levantada contemporiza para a entrada de Saviola. Lá vai o pequenino Argentino, el conejo, na grande área, fazendo "gato sapato" de toda a defesa adversária. O pequenino é diabólico e já soltou a redondinha para Cardozo. Cardozo prepara o pontapé de primeira e fuzila sem piedade. É gooooooolo! Cardozo leva à loucura o Estádio da Luz"

Tudo em Latim, claro. Imaginem a surpresa dos historiadores quatro séculos depois a traduzir o meu sarcófago. "Contemporiza?", "redondinha?" "de certeza que estás a traduzir bem? e ... que tipo de gajo põe uma merda destas no seu sarcófago?" ... o tipo sacana, meus caros, o tipo sacana.





Ps- Percebes agora, RL, como é que se faz um relato?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Porque insondáveis são os caminhos da blogosfera







Porque os caminhos da blogosfera são na verdade insondáveis e porque a vida vista no global tem um sentido de humor muito próprio (ou nas palavras de Chaplin "In the end everything is a gag"), assim fui eu parar a um café com vista para o Tejo conversar um pouco com a Clara. Qual Clara? Esta Clara. E esta Clara.

A Clara que tem um olhar que brilha e que investiu doze meses da sua vida para dar a volta ao mundo por EUR. 8.000,00. Sim, minha gente. Ainda há quem aceite o desafio de - com baixos custos, muito couch surfing e trabalhos ocasionais - percorrer o mundo numa permanente classe económica. Mais do que isso, fazendo-o com a atitude certa. Aquela que envolve respeito pelos outros, pelos seus pontos de vista, necessidades concretas e dramas que seriam precisamente os nossos tivéssemos porventura nascido naquela ponta do globo em particular e não em qualquer outra (o que nos leva de novo ao estranho sentido de humor que parece vindo de cima e a que eu gosto de me referir sumariamente como "piada cósmica").

E por falar em "piadas cósmicas", então não é que a tal Clara-com-o-olhar-que-brilha me diz algures entre a conversa e com um gesto simples "Sim. Tens razão. O Pacífico é O mais bonito que há sobre a Terra."? A mim, Clara?!! Que adormeço todos os dias a reflectir longamente sobre o mar azul turquesa e acordo a pensar que já há muito deveria estar a fazer as minhas sacananices na Austrália? Que sonho em montar uma escola de mergulho numa praia de areia branca, enquanto as gajas do Lost aparecem para me fazer massagens e ler em voz alta o Record ... apenas para me anunciar que o Benfica foi campeão europeu mais uma vez?

Sim. De facto, os caminhos da blogosfera, tal como os da vida, são insondáveis. E é muito por causa disso que este blog mantém portas abertas. Pelo irresistível apelo do desconhecido que sempre atrai tudo o que é verdadeiro sacana, independentemente do tamanho, idade e origem. Lugares e pessoas que só um blog obscuro sem motivo aparente poderia colocar no nosso caminho como se estivesse a piscar o olho suspirando "esta oportunidade é para ti ... it is meant to be". Acredito muito nisso.

Bons ventos para todos os sacanas. E muito óleo de massagens com sabor a coco para mim em particular. Just taking care of number one. (depois da minha avó, que fique claro).



Ps- Count me in. Levo o tabaco.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

A rua Sésamo 40 anos depois






é sempre triste sabermos que o Popas foi deslocalizado para um País de mão-de-obra barata.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Quando é que vamos perceber ...









... que a autoridade dos professores tem que ser por todos respeitada, valorizada, planeada, organizada e por fim agradecida? que sem eles não há futuro? Admite-se que pais queiram pressionar os professores? Direcções escolares que exigem um número mínimo de alunos obrigatoriamente passados?

Não digo isto a propósito da avaliação de professores - uma ideia com a qual estou absolutamente de acordo desde que envolva critérios objectivos, baseados no mérito e assiduidade, e válidos para todos os professores de Norte a Sul do País - mas apenas porque, na minha perspectiva de cidadão, considero que é motivo de vergonha nacional a forma como algumas profissões, a começar nos polícias e a acabar nos docentes, são tratadas.

Países há em que as escolas ainda se dão ao respeito. É começarmos por aí. Por copiarmos os modelos que funcionam (na Holanda por exemplo até uma padeira fala um Inglês melhor que quase todos os políticos e Presidentes de Conselho de Administração que temos). Com humildade, trabalho, sem sindicatos ou politiquices baratas.