
Segui desde o início a carreira do Pete Sampras. Órfão de pai, descendente de imigrantes gregos nos EUA, Pete era aquele miúdo simples trabalhador incansável que lutava para se tornar num jogador de ténis profissional. Os seus passing-shots, a sua frieza e colocação da bola, a sua esquerda assassina, combinada com uma direita demolidora, e claro - como todos os jogadores de eleição quando estão em apuros para fechar o jogo de serviço - o seu serviço de excelência fizeram de pistol Pete um jogador completo, reinante durante longos anos numa das modalidades individuais mais competitivas e populares do planeta, o ténis.
Eu vi em directo quando o habitualmente reservado, inexpressivo e introvertido Pete Sampras começou a chorar em pleno court central de Flushing Meadows (Open USA) num jogo contra o rival e amigo Jim Courier. Apesar de ser número um do mundo e de estar em vantagem nessa partida, Pete ao fim de 4 horas de jogo (as partidas no open USA podem ser excepcionalmente prolongadas e desgastantes) não resistiu e começou a chorar como uma criança. O seu treinador de sempre estava a morrer com cancro por essas horas no hospital e um campeão nunca esquece donde vem e quem lhe deu a mão até à imortalidade. As lágrimas caiam-lhe enquanto servia, enquanto se sentava no banco, enquanto corria. No final, ganhou o jogo. Nada mudara. O número um fizera o seu trabalho.
Retirou-se como o homem que tinha ganho mais títulos de grand slam (os mais importantes) da história e hoje passa os dias a brincar com os filhos. Sempre discreto, nunca ninguém o vê a mandar bocas na imprensa ou sequer a aparecer em courts para relembrar como é "boss". Recentemente, outro grande campeão ainda em actividade, Roger Federer igualou o quase impossível record de Sampras - 14 títulos de Grand Slam - e está em vias de o ultrapassar. Muitos teriam inveja. Mas não o Pete. O Pete é um campeão de verdade. E não é só pelo número de títulos que já ganhou. Tem a atitude certa.
"“To put up the numbers I did, I knew it was going to take someone who’s not just a great player but also willing to give up some of his life, sort of eat, breathe and live the sport,” Sampras said. “Roger is willing to sacrifice and be a great champion.”
Of course Sampras would have liked for his record reign to outlive him.
“Absolutely,” he said. “But I can honestly say I don’t have an issue with Roger passing me. He gets the job done and does it with class.”
He added, “I won 14, which is 14 more than I ever thought I’d win.”
Excerto de uma entrevista ao NYT que pode ser melhor aprofundada aqui.

8 comentários:
Grande lição!Obrigada meu caro..
É bem verdade... Vemos isso por estes dias, por exemplo, no Cristiano Ronaldo. Pode ser um grande jogador, ao nível dos melhores, mas falta-lhe aquela centelha de humildade que o levaria mais além, que o transformaria, como disseste e bem, num grande homem!
ya és um quiduxo. politicamente correcto.
podemos trocar umas ideias/informações no que respeita ao guião, estyive num seminário com Robert Mckee, aprendi umas coisitas, tenho dois programas p escrever (em nada têm sido úteis)... tens o e-mail do galinheiro!
Houve uma altura em que andava meio vidrada com o ténis por isso bora lá de ler tudo o que há para saber sobre o assunto E ver partidas claro.
E rendi-me ao Peter Sampras. Exactamente por essa humildade que falas. Eu tenho um fraquinho por pessoas genuínas. O Sampras parece-me uma delas.
O meu preferido de sempre (apesar de reconhecer que o Federer é superior a nível técnico). Fabuloso!
Esqueceste-te do espectacular slam dunk característico dele ;)
A humildade ainda é um dos valores mais importantes, sejamos reis ou mendigos. Há que a ter, em qualquer patamar da pirâmide social em que vivemos. Sejamos sacanas, mas humildes :)
Cara Apple,
a lição não é minha... eu sou apenas a rádio amadora.
Caro Phyxsius,
Totalmente de acordo. O CR é óptimo jogador mas não sabe o que é classe.
Caro Francis,
umas no cravo ...
Cara RL,
muito obrigado pelas dicas. Depois mando-te um mail para trocarmos umas ideias, boa?
Cara Espiral,
Sim, o Pete, ainda que não o conhecendo pessoalmente, é um campeão na verdadeira acepção da palavra.
Caro Treze,
tenho dúvidas que o Federer seja superior e acrescento que a concorrência do Pete Sampras era muito mais agressiva do que a Federer (tirando o Nadal e mais um ou dois não vejo grande sombra ao relógio Suíço).
Caro Distraído,
a humildade define os campeões mesmo entre quem não é atleta...
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