
Nota prévia: acho que a malta que votou no PS para as legislativas, renovando o mandato legislativo a um executivo liderado por uma pessoa que não se sabe se é engenheiro, quando tinha uma alternativa que era uma professora catedrática de Economia, não percebendo afinal que o que estava em causa nestas eleições era macro-economia e não propriamente as opiniões da Manuela Ferreira Leite sobre o casamento de homossexuais, se deveria abster de comentar notícias políticas durante os próximos 4 anos. Ao invés, deveria assumir em toda a linha as graves consequências para o País (largamente antecipáveis, até porque se trata de uma re-eleição) de uma linha de políticas sem estratégia ou visão e que vai empobrecer as futuras gerações.
1. Tal como já aqui escrevi sobre a tomada de posse do Obama e de outros, sou um bocado crítico de um excesso de carnaval a propósito de tomadas de posse políticas, as quais, na minha opinião, devem ser interpretadas com modéstia (face aos grandes desafios a enfrentar) e solenidade;
2. Há pouco para dizer sobre as novas nomeações propriamente ditas, porquanto um trabalho de um governante deve ser avaliado à posteriori. De salientar contudo, a nomeação de uma sindicalista para o Ministério do Trabalho. É um bocado para o visionário, num País onde é preciso dar mais dinâmica à força laboral e onde a legislação do trabalho já é demasiado esquerdista e contrária ao bom funcionamento das empresas (as tais entidades que realmente geram riqueza neste País desgovernado, atraem investimento exterior e põem comida na mesa a quem efectivamente trabalha e mesmo aos outros). É um pouco como dar ao Goering a pasta dos assuntos Judeus. O mais engraçado, é que estamos perante um "presente envenenado" e um falso aceno ao eleitorado de esquerda pura. A André, tal como, suspeito, todos os outros novos "talentos" deste novo executivo, vai seguir à linha exactamente as mesmas políticas que os antecessores socialistas no cargo. E as mesmas políticas são tão de esquerda como eu sou um cabeleireiro transformista brasileiro, residente na Costa da Caparica, e chamado Wanderley;
3. Sobre as saídas pois ... vou ter saudades do Lino (e do Pinho, vá ... um gajo que vai à China dizer "invistam em Portugal porque em Portugal temos mão-de-obra barata" merece entrar na história). Já agora, e por falar em manter as mesmas políticas, já viram bem o preço a que vai sair uma simples viagem de TGV Lisboa Porto? ahahahhahahahah Para quê linhas de alta velocidade quando as alternativas que existem já são suficientes (pelo menos no que respeita a Lisboa-Porto) e quando o cidadão comum só tem dinheiro para o intercidades? Não vai ser um pouco como a malta que deixa as auto-estradas desertas porque só tem dinheiro para ir pela estrada nacional? E quanto ao argumento de que as grandes obras públicas de construção (alô Mota Engil? Podia passar ao Coelho?) vão servir para dar emprego ... mas dar emprego a quem? à população imigrante residente que não paga cá impostos e que é não qualificada? e é assim que se espera aquecer a economia nacional?
4. Entretanto, no País real, o estado da economia (aquele assunto de que o PS não quis falar na campanha e sobre o qual o eleitorado não inquiriu), ora bolas, vai piorando. Em Setembro, por exemplo, o desemprego disparou...
5. Por último, tenho visto por aí muita gente a sugerir que este governo não vai durar até ao fim do mandato. Eu, como cidadão e mesmo não se tratando da força política em que votei, acho mal. Os governos têm que ter estabilidade para trabalhar (daí defender o sistema presidencialista norte-americano) e sentido de responsabilidade para não abandonar o barco antes do trabalho estar feito (como o Guterres ou o Barroso). Aliás, não sou contra os vários partidos da oposição (a começar pelo PSD) se entenderem com o governo em funções sobre os assuntos mais importantes (Educação, Justiça, Saúde). Para mim, uma oposição deve ser útil e saber fazer guerra nos assuntos que valem a pena e que são justos. Afinal de contas, se o eleitorado Português preferiu estes governantes, mesmo que em maioria relativa, há que saber respeitar o seu sentido de voto e acreditar nas hipóteses de sucesso a médio/longo prazo.


12 comentários:
Em completo desacordo contigo.
És um sacana fixe, mas quando se trata de política revelas ser um velho do Restelo apocalíptico...
Só te falta dizer que a esquerda é a encarnação do Mal, a Besta 666, etc...
Caro Maldonado,
respeito bastante as tuas opiniões e a tua inteligência, mas sinceramente tu és aquele que rejubilou no dia a seguir às eleições, não por o bem do País ter sido servido mas por a direita não ter ganho. E quem pensa assim, na minha opinião, é um paradigma perfeito de um eleitorado pouco esclarecido e um pilar decadente de uma democracia imatura.
Mas aí está, eu não considero a direita a solução para os problemas do país...
O neo-liberalismo e as relações Norte-Sul são uma demonstração cabal da caducidade da direita internacional.
vá lá que desta vez não falou no toninho de santa combadão...:)
A mim já não me faz muito sentido Esquerda/Direita.Vejo posturas ditas de esquerda em gente dita de direita e vice versa.Assim sendo privilegio as boas e correctas condutas,principios e valores,a vontade e o trabalho que muito pontualmente encontramos em todos eles.
Não imaginam a dificuldade que tenho com o voto...a maior parte das vezes é em branco.
Ao invés de culparem quem votou apenas PS, culpem também os milhões que se abstiveram de ir às urnas.
Uns 15 minutos de um dia, para decidir o futuro do país, e mesmo assim, preferem não o fazer.
Concordo plenamente contigo, não por ser de direita, porque o sou.
Mas também porque é um vergonha os portugueses passarem 4 anos, a ver o que se passa em Portugal, e mesmo assim não preferem mudar.
Venham TGV's, aeroportos, submarinos, venha tudo... o dinheiro há-de se arranjar, ou então de pedir mais um bocado aos contribuintes...
Abraços,
A tua sorte é que escreves bem, tens piada, és inteligente e simpatizas comigo. Senão, respondia-te.
É a tua visão, tal como não poderia deixar de ser, tal como se fosse eu a escrever, teria outra, e com mais ou menos informação, mais ou menos inteligência, mais ou menos capacidade de argumentação, as visões, são isso mesmo - colocarmos o que sentimos a fervilhar cá dentro ao serviço também do que pensamos e com isso fazer estes textos óptimos que fazes, embora discorde dele linha sim, linha não (ainda tenho esta capacidade, sou uma socialista porreira).
Parabéns ao último parágrafo.
Amo a imagem! Amo.
É assim a democracia. Respeito, mesmo sem concordância.
Mas tens de facto razão em alguns dos pontos que referes, principalmente no teu 5º ponto.
Beijinhos,
T
A única coisa que concordo é que as pessoas - na sua maioria - agora têm é que ficar caladas visto terem-se borrifado para as eleições.
Quanto ao resto, vamos ver...
Caro Maldonado,
discordo mas respeito.
Caro Francis,
adoro essa referência literária na prosa do amigo Maldonado!
Caro Rose,
compreendo a sua posição e agradeço o seu contributo. A questão é que neste caso votar em branco significou perpetuar no cargo a incompetência.
Caro Osvaldo,
"porque é um vergonha os portugueses passarem 4 anos, a ver o que se passa em Portugal, e mesmo assim não preferem mudar" exactamente. As vezes que eu tenho repetido isto, desde logo para mim. Como é possível?
E também tens muita razão quanto à abstenção.
Cara RL,
é verdade que simpatizo e até me identifico nalgumas coisas contigo. A questão contudo é que prefiro sempre cultivar relações directas. Responde o que tens a responder. Até porque adoro ver esses caracóis no ar. Ficam porreiros.
Cara N,
e eu amo a imagem que escolheste para acompanhar a tua identidade blogosférica. Emana classe.
Cara Teresa,
Portugal neste momento vai de música em música. Aliás é um bocado ver a banda a passar.
Bjinhos e obrigado pela sempre simpática contribuição.
Caro 13,
o teu comentário saiu incompleto. Suspeito contudo que estivesses a comentar a grande quantidade de abstenção, caso em que concordo em absoluto.
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