terça-feira, 27 de Outubro de 2009

O circo vai começar: algumas notas sobre o novo governo






Nota prévia: acho que a malta que votou no PS para as legislativas, renovando o mandato legislativo a um executivo liderado por uma pessoa que não se sabe se é engenheiro, quando tinha uma alternativa que era uma professora catedrática de Economia, não percebendo afinal que o que estava em causa nestas eleições era macro-economia e não propriamente as opiniões da Manuela Ferreira Leite sobre o casamento de homossexuais, se deveria abster de comentar notícias políticas durante os próximos 4 anos. Ao invés, deveria assumir em toda a linha as graves consequências para o País (largamente antecipáveis, até porque se trata de uma re-eleição) de uma linha de políticas sem estratégia ou visão e que vai empobrecer as futuras gerações.

1. Tal como já aqui escrevi sobre a tomada de posse do Obama e de outros, sou um bocado crítico de um excesso de carnaval a propósito de tomadas de posse políticas, as quais, na minha opinião, devem ser interpretadas com modéstia (face aos grandes desafios a enfrentar) e solenidade;

2. Há pouco para dizer sobre as novas nomeações propriamente ditas, porquanto um trabalho de um governante deve ser avaliado à posteriori. De salientar contudo, a nomeação de uma sindicalista para o Ministério do Trabalho. É um bocado para o visionário, num País onde é preciso dar mais dinâmica à força laboral e onde a legislação do trabalho já é demasiado esquerdista e contrária ao bom funcionamento das empresas (as tais entidades que realmente geram riqueza neste País desgovernado, atraem investimento exterior e põem comida na mesa a quem efectivamente trabalha e mesmo aos outros). É um pouco como dar ao Goering a pasta dos assuntos Judeus. O mais engraçado, é que estamos perante um "presente envenenado" e um falso aceno ao eleitorado de esquerda pura. A André, tal como, suspeito, todos os outros novos "talentos" deste novo executivo, vai seguir à linha exactamente as mesmas políticas que os antecessores socialistas no cargo. E as mesmas políticas são tão de esquerda como eu sou um cabeleireiro transformista brasileiro, residente na Costa da Caparica, e chamado Wanderley;

3. Sobre as saídas pois ... vou ter saudades do Lino (e do Pinho, vá ... um gajo que vai à China dizer "invistam em Portugal porque em Portugal temos mão-de-obra barata" merece entrar na história). Já agora, e por falar em manter as mesmas políticas, já viram bem o preço a que vai sair uma simples viagem de TGV Lisboa Porto? ahahahhahahahah Para quê linhas de alta velocidade quando as alternativas que existem já são suficientes (pelo menos no que respeita a Lisboa-Porto) e quando o cidadão comum só tem dinheiro para o intercidades? Não vai ser um pouco como a malta que deixa as auto-estradas desertas porque só tem dinheiro para ir pela estrada nacional? E quanto ao argumento de que as grandes obras públicas de construção (alô Mota Engil? Podia passar ao Coelho?) vão servir para dar emprego ... mas dar emprego a quem? à população imigrante residente que não paga cá impostos e que é não qualificada? e é assim que se espera aquecer a economia nacional?

4.    Entretanto, no País real, o estado da economia (aquele assunto de que o PS não quis falar na campanha e sobre o qual o eleitorado não inquiriu), ora bolas, vai piorando. Em Setembro, por exemplo, o desemprego disparou... 

5. Por último, tenho visto por aí muita gente a sugerir que este governo não vai durar até ao fim do mandato. Eu, como cidadão e mesmo não se tratando da força política em que votei, acho mal. Os governos têm que ter estabilidade para trabalhar (daí defender o sistema presidencialista norte-americano) e sentido de responsabilidade para não abandonar o barco antes do trabalho estar feito (como o Guterres ou o Barroso). Aliás, não sou contra os vários partidos da oposição (a começar pelo PSD) se entenderem com o governo em funções sobre os assuntos mais importantes (Educação, Justiça, Saúde). Para mim, uma oposição deve ser útil e saber fazer guerra nos assuntos que valem a pena e que são justos. Afinal de contas, se o eleitorado Português preferiu estes governantes, mesmo que em maioria relativa, há que saber respeitar o seu sentido de voto e acreditar nas hipóteses de sucesso a médio/longo prazo.


 



12 comentários:

Maldonado disse...

Em completo desacordo contigo.
És um sacana fixe, mas quando se trata de política revelas ser um velho do Restelo apocalíptico...
Só te falta dizer que a esquerda é a encarnação do Mal, a Besta 666, etc...

Pulha Garcia disse...

Caro Maldonado,

respeito bastante as tuas opiniões e a tua inteligência, mas sinceramente tu és aquele que rejubilou no dia a seguir às eleições, não por o bem do País ter sido servido mas por a direita não ter ganho. E quem pensa assim, na minha opinião, é um paradigma perfeito de um eleitorado pouco esclarecido e um pilar decadente de uma democracia imatura.

Maldonado disse...

Mas aí está, eu não considero a direita a solução para os problemas do país...
O neo-liberalismo e as relações Norte-Sul são uma demonstração cabal da caducidade da direita internacional.

francis disse...

vá lá que desta vez não falou no toninho de santa combadão...:)

rose disse...

A mim já não me faz muito sentido Esquerda/Direita.Vejo posturas ditas de esquerda em gente dita de direita e vice versa.Assim sendo privilegio as boas e correctas condutas,principios e valores,a vontade e o trabalho que muito pontualmente encontramos em todos eles.
Não imaginam a dificuldade que tenho com o voto...a maior parte das vezes é em branco.

Osvaldo Faísca disse...

Ao invés de culparem quem votou apenas PS, culpem também os milhões que se abstiveram de ir às urnas.

Uns 15 minutos de um dia, para decidir o futuro do país, e mesmo assim, preferem não o fazer.

Concordo plenamente contigo, não por ser de direita, porque o sou.

Mas também porque é um vergonha os portugueses passarem 4 anos, a ver o que se passa em Portugal, e mesmo assim não preferem mudar.

Venham TGV's, aeroportos, submarinos, venha tudo... o dinheiro há-de se arranjar, ou então de pedir mais um bocado aos contribuintes...

Abraços,

R.L. disse...

A tua sorte é que escreves bem, tens piada, és inteligente e simpatizas comigo. Senão, respondia-te.
É a tua visão, tal como não poderia deixar de ser, tal como se fosse eu a escrever, teria outra, e com mais ou menos informação, mais ou menos inteligência, mais ou menos capacidade de argumentação, as visões, são isso mesmo - colocarmos o que sentimos a fervilhar cá dentro ao serviço também do que pensamos e com isso fazer estes textos óptimos que fazes, embora discorde dele linha sim, linha não (ainda tenho esta capacidade, sou uma socialista porreira).
Parabéns ao último parágrafo.

N disse...

Amo a imagem! Amo.

Teresa disse...

É assim a democracia. Respeito, mesmo sem concordância.
Mas tens de facto razão em alguns dos pontos que referes, principalmente no teu 5º ponto.
Beijinhos,
T

13 disse...

A única coisa que concordo é que as pessoas - na sua maioria - agora têm é que ficar caladas visto terem-se borrifado para as eleições.
Quanto ao resto, vamos ver...

Pulha Garcia disse...

Caro Maldonado,

discordo mas respeito.

Caro Francis,

adoro essa referência literária na prosa do amigo Maldonado!

Caro Rose,

compreendo a sua posição e agradeço o seu contributo. A questão é que neste caso votar em branco significou perpetuar no cargo a incompetência.

Caro Osvaldo,

"porque é um vergonha os portugueses passarem 4 anos, a ver o que se passa em Portugal, e mesmo assim não preferem mudar" exactamente. As vezes que eu tenho repetido isto, desde logo para mim. Como é possível?

E também tens muita razão quanto à abstenção.

Cara RL,

é verdade que simpatizo e até me identifico nalgumas coisas contigo. A questão contudo é que prefiro sempre cultivar relações directas. Responde o que tens a responder. Até porque adoro ver esses caracóis no ar. Ficam porreiros.

Cara N,

e eu amo a imagem que escolheste para acompanhar a tua identidade blogosférica. Emana classe.

Cara Teresa,

Portugal neste momento vai de música em música. Aliás é um bocado ver a banda a passar.

Bjinhos e obrigado pela sempre simpática contribuição.

Pulha Garcia disse...

Caro 13,

o teu comentário saiu incompleto. Suspeito contudo que estivesses a comentar a grande quantidade de abstenção, caso em que concordo em absoluto.