segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

O problema de uma democracia ...






é que há assuntos que não são "democratizáveis". As escolas por exemplo, foram feitas - acredite-se ou não - para a pequenada aprender. Não têm que ser "engraçadas", "giras", "fixes", "Kridas".  A própria noção de autoridade nas salas de aulas, tal como nas esquadras, nos tribunais, nas empresas, etc não é democrática. Há alguém que manda, e alguém que obedece.

O que nos leva de novo à velha máxima de Maquiavel (antigo central do Belenenses mas que já não é do vosso tempo): "Quem constrói sobre o povo, constrói sobre o lodo".

domingo, 29 de Novembro de 2009

Não esquecer ...







Que o grande concurso "Foi um touro que o matou" continua. E que vale mandar imagens.

E olhem que 25 euros na FNAC sempre ajudam a fazer sacanas felizes...

sábado, 28 de Novembro de 2009

O mundo está ao contrário






Recentemente tive uma reunião com uma cliente de há alguns anos. Estávamos apenas os dois e ela falou-me do seu caso extraconjugal a propósito de um problema laboral que tem. Conversámos abertamente, quer porque já nos conhecemos há bastante tempo, quer porque por vezes a relação com um advogado se confunde com a de um padre. Com uma diferença, eu não julgo. Nada disto porém me chamaria particular atenção, não fosse o facto da mulher em causa falar do caso extraconjugal com um total desprendimento de emoções. Não é que se orgulhasse, ou vivesse com culpa, ou sequer tivesse tido vários casos do género (confidenciou-me que fora a única vez e eu acredito, não que fizesse alguma diferença acreditar ou deixar de acreditar). É apenas dizer que há uma diferença ténue entre imoralidade e amoralidade.

- O casamento com o meu marido acabou já há vários anos - admitiu secamente como se dissesse "já somos todos crescidinhos, não é senhor doutor?".

E eu anuí. Sei que é uma pessoa bondosa e tenho poucas dúvidas de que tentou o seu melhor. E nisto reflicto quando penso que só gostaria de me casar uma vez, e que continuo a defender - e a praticar - a lealdade nas relações (quando visto uma tal camisola). Mesmo que esteja fora-de-moda e mesmo que as estatísticas desmintam as probabilidades.

É por coisas como estas que tenho cada vez menos paciência para o Natal. Havia muitas coisas anteriores sobre as quais deveríamos falar olhos nos olhos antes de chegarmos às prendas. A começar por a pessoa que queremos ser. Nem que seja a partir de hoje.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Porque é que um sacana sempre cai aos pés de uma mulher exótica?






1. Porque está enjoado de loiras de olhos azuis?

2. Porque a normalidade é para funcionários públicos cinzentos?

3. Pela curiosidade científica do admirável mundo novo abaixo dos lençóis?




Sir Francis Bacon (muito anterior a Sir Alex Fergunson ou mesmo Sir Paul McCartney).

Interrompemos esta emissão para informar que ...


Conversas gravadas entre Sócrates e Armando Vara não têm valor jurídico, mas têm valor artístico. Aqui

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Histórias que o tempo (quase) apagou



Enquanto folheava o magnífico "Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis" da Lello & Irmão Editores - Porto, de 1967, e pouco depois de me ter deparado com a vida da 

Sr.ª OYAMA (-1955), "cantora Japonesa; mulher do diplomata nipónico Tsunasuke Oyama. Quando este representava o seu País em Roma, para onde havia ido em 1899, a mulher foi apresentada ao grande compositor Italiano Puccini. Para ele cantou então algumas árias do seu País, uma das quais foi aproveitada pelo compositor na ópera "Madame Butterfly" e posta na boca de Cio-Cio San, quando esta estava prestes a morrrer. Oyama, depois de enviuvar, ingressou no Convento das Missionárias de Maria, de Totsuka, nas cercanias de Iocoama. Em 19/11/1955 declarou-se ali um pavoroso incêndio, onde morreu"

encontro a não menos curiosa história da 

GERTRUDES QUITÉRIA (Séc XVIII), "Mulher do povo que tomou parte no motim popular de 23 de Fevereiro de 1757, no Porto, contra a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Segundo documentos coevos, ela gritava exasperada, excitando o mulherio: "Morra tudo! Deite-se fogo às casas! Queime-se tudo!". Foi condenada à morte".


É esta inesgotável riqueza feminina firmada nas diversas qualidades únicas que me fascina. Digam-me francamente: Como é que eu posso não gostar de mamas?

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Enough is enough



(vídeo gamado deste blog)


Estou a pensar em enviar este conto a este concurso. Não parece mas é sobre o Natal. Welcome to the dark side of the force.



"Sem perdão e sem Natal

 

Nos noticiários não se falava noutra coisa. Dos jornais, revistas, rádios, televisão, computadores vinham há mais de dois anos permanentes alertas sobre a falta de qualidade do ar, índices de humidade insatisfatórios, surtos de patologias cardíacas associadas a falta de capacidades respiratórias e, como por magia, milhões de descendentes de macacos começaram a cair como tordos. Era oficial, estávamos a poucas semanas de acabarmos todos. Tudo parecia um sonho mas quando acordávamos de manhã a triste verdade continuava a cercar tudo o que éramos, a roubar-nos o ar. A nós, os últimos humanos a povoar a Terra! Como é que chegámos a isto?

 

Não aguentava mais estar em casa. A imagem vã daquele cidadão que estava tão deprimido que nem tivera forças para ir levantar o prémio da lotaria, mergulhou os que restavam num pesado lodo de lágrimas e perguntas. 

 

Então era a isto a que o fim se parecia! Estava tão próximo que finalmente dava para ver o seu rosto, o branco dos seus olhos, o hálito de quem governa absolutamente os destinos das gentes do mundo. E o nosso destino quase imediato mais não seria do que chorar, revirar dúvidas e poisar serenamente sobre a espera por uma falha cardíaca que simpaticamente nos fechasse as vistas com a mesma suavidade com que uma mãe as abre na origem.

 

A maior parte das pessoas ainda saudáveis desistiram dos seus empregos, e viviam os últimos dias a partir do lar, com os seus. Mas eu não. Preferi sair à rua e arrastar os meus ossos até à zona dos bares. Como a Paris de 1940, a meros dias - e depois horas, e depois segundos - da invasão Nazi, a zona dos bares estava cheia, rebentava pelas costuras. Quando estás a poucos dias do fim, o dinheiro deixa de ter a mesma importância. E a normalidade é um refúgio demasiado distante, que custa olhar de frente.

 

As ruas enchiam-se de formas de loucura. Não me apetecia beber mas também não me apetecia ficar em casa. Vi um anúncio de oferta de emprego (já poucos aceitavam trabalhar) numa casa de alterne e resolvi aceitar. Nem sei bem porquê. Seria a vontade de foder? Sim, claro. Mas também o "já nada mais importar". Nem sequer diria aos meus chefes na firma de contabilidade que não contassem mais comigo. Limitar-me-ía a não mais aparecer. E já agora ... contabilidade para quê? o que é que faltava contar? as árvores que atirámos abaixo e que nos deram durante milénios de inspirações e sombra? as águas que sujámos por imprecaução ou abuso? os outros habitantes do planeta a que negámos direito à vida? Mas também essas contas eram afinal polutas. Falhámos. Como raça. A todos e a nós próprios. Nada mais havia para contar.

 

À entrada da casa de alterne, que por acaso se chamava "Copacabana", deparo-me com uma manifestação de padres e afins que agitavam no ar nervosamente a Bíblia. Falavam em perdoar. Falavam no próximo mundo. Tivesse eu próprio forças, e batia-lhes como se não houvesse "o-amanhã-que-já-sei-que-não-vai-haver".

 

- Saiam da frente, vermes. Matámos o planeta, o planeta matou-nos a nós. Deixem lá Deus no seu canto sossegado. Já sabemos que foi o primeiro a abandonar esta terra... e foi o melhor que fez. Não há nada a fazer com gajos como nós! Se pudéssemos até Deus teríamos exterminado. Não há perdão nem para nós, nem para si Padre. O inferno vai descer à Terra para que finalmente haja paz. Percebe? Você e eu... somos o anti-Cristo, o cálice que Jesus afastou.

 

E assim me afastei eu, enquanto descia aquelas escadas para o perfume barato, reflectindo nas linhas que muitos séculos antes Victor Hugo redigira: "Si souffrir nous devons, souffrons sur les tailles"*. Talvez se tivéssemos dado mais atenção ao Natal noutros anos, o caminho se pudesse ter tornado, algures no processo, mais claro. Não o Natal das prendas e dos prazeres materiais, que esse é uma questão de cartão visa e dura o ano todo. Mas o Natal que nos relembra que estamos entregues a nós próprios, que depois de nós, como um todo, nada mais há que nos possa salvar. Um Natal que pressupõe darmos as mãos, nem que seja para saltarmos juntos e com amor sobre o penhasco do nada. 

 

Lamentavelmente nesse ano o Natal chegou demasiado tarde, desprovido do que celebrar, e acompanhado apenas nas cidades vazias por uma perdida telefonia que ecoava sozinha e ad eterno velhas melodias da rádio.

 

 

* “Se temos que sofrer, então soframos nos limites”  (tradução livre)"




Ho ho ho

Sempre quis escrever um conto de Natal em que todos morressem no final...

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Quer ganhar um cheque de compras da FNAC? Pergunte-me como (Grande Concurso "foi um touro que o matou")


1.ª EDIÇÃO DO GRANDE CONCURSO "FOI UM TOURO QUE O MATOU"

O PRÉMIO:

Cheque de compras da FNAC no valor de EUR 25,00. (que nós os sacanas não nos bastamos com um beijinho na cara nem nos vendemos a meros processos de intenções).

O Vencedor só tem que dar uma morada e nós enviamos o cheque de compras por correio (seja em Portugal ou no Estrangeiro). Se preferir pode pedir para o cheque ser entregue a uma instituição de caridade à sua escolha (o que não falta por aí é um menino ou uma menina com vontade de sorrir este Natal).

O MOTIVO:

Distinguir a grande qualidade dos/das sacanas nacionais. O sacana Português não tem menos qualidade do que os outros, pelo que merece ser premiado, acarinhado, protegido, divulgado, imortalizado. Registe-se todavia que o concurso está aberto a todas as nacionalidades e que não teremos proteccionismos. The greatest bastard's mind wins it all.

AS REGRAS:

1. Para concorrer não é necessário recortar o código de barras da embalagem. Ganha aquele que nos mandar por email (obomsacana@gmail.com) o melhor acto, pensamento ou sonho sacana;

2. Não precisa de ser cómico, pode ser apenas reflexivo, cultural, artístico, uma história (desde que seja verídica ... para "Ali Bábá e os quarenta ladrões" já basta a SAD do Fóculporto), sobre viagens, no passado/presente/ou futuro, etc. Tem é que ser alguma coisa com ADN sacana bem visível.

3. O vencedor do concurso, que começa hoje, será anunciado a 12 de Dezembro. Quem ganhar, se quiser, pode manter o anonimato. Contudo o "acto, pensamento ou sonho sacana" que ganhar será sempre publicado no blog (excluídos todos os detalhes que possam ser identificativos de alguém em concreto), até para ser tudo transparente.

4. Por favor, não mandem mails com histórias de como batem nas vossas mulheres ou como encornam os maridos porque "ser sacana" não é a mesma coisa que "ser canalha". E também não confundam "ser sacana" com "ser criminoso" ... ou seja, histórias em como retiraram os travões ao carro do vosso chefe e ele hoje não percebe porque é que só fala em ditongos e se baba do lado esquerdo da boca... pois... serão desqualificados.

5. Cada pessoa só tem duas tentativas.


O JÚRI:

Eu sei que vocês têm fundados receios que eu fuja com o prémio para o Brasil, Tailândia e finalmente uma bela ilha no Pacífico para brincar ao Paul Gauguin com as mulheres locais. Ou então que eu dê o prémio ao melhor par de mamas que se apresentar a concurso. Para trazer credibilidade a esta merda, convidei a APPLE e a PEQUENO OURIÇO, gente bem formada (nada como eu), justas candidatas a Madre Teresa de Calcutá da blogosfera, que terão, juntamente comigo, que dar o voto favorável ao vencedor. Serão uma espécie de representantes do governo civil com poderes de veto.

Agora vão e espalhem a palavra sacana.

Let the games begin.



Porque a única forma de sobrevivermos a segundas-feiras ...





é pensarmos que o mundo é um quintal pitoresco.

Aqui vai uma ampola de som redentor. Um supositório que dá asas.

sábado, 21 de Novembro de 2009

We are all but Christian Vs Troy






O CONTEXTO:

Christian Troy & Sean McNamara. Melhores amigos, cirurgiões plásticos que ganham fortunas a tornar perfeito o imperfeito, uma luta fratricida permanente para ver onde mora a maior pilinha.

Christian, com menos ética e mais a dar pró bruto, surpreende Sean numa das salas de operações a fazer às escondidas uma cirurgia a uma mulher que o mesmo Sean, o tal que tenta ser mais cavalheiro, anda a tentar engatar. Sean, que executava furiosamente uma intensa lipo-aspiração sobre a paciente (com pedaços de gordura a sair que fazem lembrar a Sicasal Carnes, S.A.), tenta envergonhadamente explicar que aquela mulher é especial. (haveria necessidade de o melhor amigo saber que estava a tentar a sua sorte com uma baleia?)

A FRASE:

"Christian: "(with Sean operating on Kate) She seems very special, you just add a mast and a good wind and you can sail her around the planet."


Suave como o rabo de um bébé. E como só um sacana consegue apreciar. Afinal de contas há qualquer coisa de irónico ao insistirmos em amar impossibilidades. 

NIP TUCK SEASON 5.  Nota máxima.




Ps: Ranking das melhores séries Sacanas:

1. Californication
2. L word
3. Dexter
4. Weeds
5. Entourage
6. Nip Tuck


quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Este blog rende-se a José Pedro Gomes



Juro que ía fazer um post sobre o Matisse (até porque gosto sempre de variar a alimentação da sacanagem e esta merda não pode ser sempre a cair no ordinário, "Moreira prometeste-me uma queca", etc ... eu gosto que os meus leitores apanhem secas de vez em quando, mas que, por causa dessas secas, vão a pensar em arte para o trabalho, enquanto estão no trânsito, ou a coçar as bolas, e noutros temas mais elevados que não apenas no banho que têm que dar ao cão, ou como a sogra é um boi ... não esquecer que eu sou um pai tirano e que não me importo minimamente que não comentem o que mais vos custa a ler ... en Français: Je veux pas savoir).

Ía, e irei (um dia destes), falar do desenho de Henri Matisse e da sua devoção à cor, luz e espaço em harmonia... não tivesse eu hoje ido ver a nova peça do José Pedro Gomes ao Casino de Lisboa. E quando eu vou ver o José Pedro Gomes, eu vou ver talento, humor, representação bem feita, com textos bem declamados sem caírem na intelectualidade barata, com tempos de respiração que até passam despercebidos e com caricaturas bem apanhadas. Mais, quando eu vou ver José Pedro Gomes vou ver um tipo de representação que (desenvolvido conjuntamente com o grande António Feio) é um produto específico Português, que só resultaria entre nós apenas porque é um reflexo justo do que nós somos enquanto povo neste dia e hora (ou pelo menos muitos de nós...).

É um pouco por tudo isto, e porque há que elogiar quem o merece, que afirmo com orgulho que José Pedro Gomes é uma muy digna bandeira da cultura Portuguesa. Ao seu estilo e fazendo o seu caminho. Que é o que se pede a um artista, seja aqui seja na China.

Je vous demande pardon, Matisse. Mas vais ter que esperar.






Ps: Melga Shop ... inesquecível


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

E o prémio "the good times are just ahead" vai para ...



Always look on the bright side of life (pausa para assobiar)...

(é que com Queiroz ao leme a Bósnia até treme)

For I'm a lost war (mas vocês salvem-se ...)






Há um pequeno punhado de pessoas que me conhecem na vida real e que sabem que eu tenho este blog. Dessas, a maioria são amigos/ou a minha irmã os quais porque me estão longe da vista mas jamais do coração, têm neste blog um desinteressante canal de acesso ao que me vai na alma. Fora destes últimos há um ainda mais pequeno punhado de pessoas que ao longo da história deste tasco fui conhecendo e que me fizeram uma pessoa (ligeiramente) melhor, pela bondade, ensinamentos e sensatez que souberam trazer até este velho saco de ossos. Num ou noutro caso, lançámos juntos as bases para amizades futuras (a amizade, como é consabido, é um posto ... excepto claro nos partidos políticos, em que é sobretudo uma questão de pastar na lixeira certa e sorrir para as câmaras).

Gostaria de agradecer a todos os que, por aqui e nos mails, me ajudam a ser um gajo melhor. E de todos apetece-me destacar esta alma enorme, em quem me revejo, que merece tudo, tem um excelente sentido de humor e sabe assumir as responsabilidades de ser desinteressada e verdadeiramente amiga.

É, contudo, um mistério como é que, não obstante me encontrar rodeado de pessoas tão boas, me mantenho o mesmo sacana egoísta, materialista, epicurista, etc. Aqui vão uns excertos da nossa última conversa em chat, a título de exemplo. Advirto no entanto que o nonsense estava forte durante os diálogos que se seguem.

"
Ela
descobri que comecei a ler-te há um ano

e queria lembrar-me de como cheguei lá mas não consigo...

achei graça, já ter passado um ano

00:27

Pulha Garcia

 

deve ter sido num daqueles dias de jantares bem regados

00:28

Ela


olha que não...

00:28

Pulha Garcia

 

é normal que não te lembres. nesse dia adormeceste naquela rua detrás de tua casa

 

onde as crianças andam de bicicleta

00:29

Ela

ahahahahha

00:29

Pulha Garcia

 

no dia a seguir cheirava a álcool na Arruda

00:29

Ela

ou na Estrada da Luz

00:30

Pulha Garcia

 

e ainda por cima cheirava àquele tinto carrascão

00:30

Ela

um horror...

00:30

Pulha Garcia

 

nada de tinto frutado ou assim

 

era mesmo do pacote

00:31

Ela

com ou sem torneirinha?

00:31

Pulha Garcia

 

tu é que estavas lá...

00:31

Ela

não, pelo relato tu é q estavas...

00:32

Pulha Garcia

 

não, eu apenas me lembro das pessoas nas notícias a comentarem

00:32

Ela

tens uma excelente memória...

e eu sou motivo de noticia

00:33

Pulha Garcia

 

Anda tudo bem contigo?

 

já não está na hora de te ires deitar e fazer um chichizinho?

00:34

Ela

infelizmente, AINDA não fui a Paris...

(estive a ler os teus comentários)

00:34

Pulha Garcia

 

lá chegarás, minha querida.

00:34

Ela

não tenho sono

00:34

Pulha Garcia

 

É só encontrares o camionista certo

00:35

Ela

ando numa fase de insónias horrorosa

"o camionista certo"....

bem...

00:36

Pulha Garcia

 

sim, um daqueles que se lava

 

com alguns dentes

00:36

Ela

palavras sempre queridas

00:36

Pulha Garcia

 

e já familiarizado com a ideia de desodorizante


(... segue-se um período em que "ela" se queixa da minha insensibilidade sacana, mas durante o qual, mesmo assim, não consegue parar de rir; pedi-lhe autorização para fazer copy paste desta conversa ao que ela me responde que sim, desde que eu admita que ela é a minha "musa" ... o que ela foi dizer...)


01:04

Pulha Garcia

 

por isso teres uma expectativa de me veres a referir-me a ti como musa...

01:04

Ela

não tenho

 

01:04

Pulha Garcia

 

é pedir que eu diga algo chocante... porque eu sou, antes de tudo - não esqueçamos - um sacana velho, amargo

 

torcido

 

pela vida

01:05

Ela

és torcido, labirintico, dificil

mas não és amargo

01:05

Pulha Garcia

 

mal mandado

01:05

Ela

uiii isso sim...

01:05

Pulha Garcia

 

injustiçado pelos media

01:05

Ela

muitissimo mal mandado

01:06

Pulha Garcia

 

esquecido pelos trovadores

 

e pelos cancioneiros

 

e pelos escultores


01:08

Ela

ahahahahahhah


01:09

Pulha Garcia

 

vai dormir

01:09

Ela

às vezes (raras) sou bem mandada....

01:10

Ela

estás a mandar-me p cama?


01:10

Pulha Garcia

 

com essa bubadeira estavas à espera do quê?

01:10

Ela

tu não te desgraces!!

01:10

Pulha Garcia

 

é que ainda por cima és como os alcoólicos

 

achas que não estás alcoolizada

01:10

Ela

e não me irrites os caracóis

01:10

Pulha Garcia

 

são os piores

01:12

Pulha Garcia

 

Chichi cama que eu tenho um copy paste para fazer

01:12

Ela

Se há alguém em interessante estado etilico serás tu e não eu

a mim só me podes acusar de privação de sono

01:12

Pulha Garcia

 

há tanto tempo que eu não bebo

01:12

Ela

água?

01:13

Pulha Garcia

 

Abril de 74 tirou-me toda a vontade

01:14

Ela

e assim me arrancas gargalhadas...

homem, não devias ir dormir?

01:16

Pulha Garcia

 

devia mas os bêbados não me largam

01:17

Ela

como essa frase não é para mim...


01:17

Pulha Garcia

 

é o que um alcoólico responderia

01:19

Ela

vou para a cama

e tu tb devias ir

01:19

Pulha Garcia

 

ora bem. Vais ver que vais ter um soninho descansado

 

ahahhahah

01:19

Ela

preciso...

01:20

Pulha Garcia

 

de mais um copo

 

?

01:20

Ela

não

01:20

Pulha Garcia

 

para o caminho, claro

01:20

Ela

de dormir!!!!

01:20

Pulha Garcia

 

para dar coragem

 

aquele último copo para limpar a tripa


(fim de transmissão)


Paris c'est toujours Paris



Cada um sabe da forma como gosta de Paris. Um pouco como os ovos escalfados na sopa de tomate, ou da eterna questão canzana Vs missionário. 

Eu por mim, gramo Paris no Outono.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

And now for something completely different ...








Eu sei. Parece montagem. Mas não é. O artista é mesmo um bom artista.

Porque não se pode salvar o mundo a partir do sofá (não obstante todas as outras coisas que nos podem acontecer em Sofa Mode) ...







Bora lá plantar uma árvore? Onde? Aqui

O Rambo vai. 



domingo, 15 de Novembro de 2009

Este Sábado houve teatro





"O que se leva desta vida". No São Luiz, uma das mais bonitas salas de espectáculos de Lisboa.

Espontâneo, original, gritado. O debate entre o científico e o natural. Não levem crianças e vão com fome.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Já vai sendo tempo de preparar o meu sarcófago ... (como vai ser a minha inscrição funerária)


Aqui há tempos uma querida amiga, historiadora e que se dedica (entre outras coisas) a organizar exposições, ofereceu-me um livro sobre a recuperação do Museu da Quinta do Conventinho, em Loures (um espaço aliás, que merece bem a vossa visita).

Sucede que nos trabalhos de recuperação da Capela do Convento do Espírito Santo (onde hoje fica parte do Museu), encontraram um sarcófago pertence a um nobre que viveu no Séc XVI, chamado D. Luís de Castro Rio (vocês não se lembram dele porque ainda não eram nascidos, mas posso-vos adiantar que era um bom copo, amigo dos seus amigos e que passava o seu tempo a ler manuscritos em papiro com imagens de gajas nuas; era também conhecido por gastar fortunas no poker online e por chorar no Natal quando via o clã Carreira no Natal dos Hospitais ... bastards, is takes one to know one).

Sucede que no sarcófago dele aparecia escrito em latim (vou já fazendo a tradução):

"Enquanto vivi, revolvia no (meu) pensamento várias diligências. Na verdade, o repouso no sepulcro que estava distante, chegou agora para mim. Se alguma vez aqui vieres, Ó leitor, ler (esta) pedra, a nada renuncies (...). Oxalá (a alma) alcance o céu" Tudo muito bonito, sem dúvida. Jolie, na verdade. Júlia Pinheiro's stuff.

Ora isto fez-me pensar: "E tu Pulha? Que planos tens para o teu sarcófago? Que inscrição funerária?".

Bem, em primeiro lugar, o meu sarcófago não precisa de ser em ouro como o da imagem (apesar de, se fizerem questão, estarem sempre à vontade para me mandarem ouro, pedras preciosas, etc ... tentarei dar um uso verdadeiramente sacana a tudo o que me chegar ... em vossa honra, claro). Lá dentro, para me acompanhar na viagem até ao outro mundo, tenciono levar (mas não vestida) alguma da lingerie que as mulheres que mais me marcaram usaram em tardes, noites, madrugadas e pequenos-almoços que nunca poderei esquecer e que entraram por mérito próprio na história universal da queca sacana.

E quanto à inscrição funerária. Admito que pensei muito nisto. No início estava inclinado para a menção do trolha mais bonita que conheço. A encantadora, romântica e suave "Oh jóia! vem ao ourives!". Mas depois cheguei à versão certa (peço silêncio e serenidade da vossa parte para o que se segue):

"Javi Garcia recupera no meio-campo. Coloca imediatamente em Aimar que de cabeça levantada contemporiza para a entrada de Saviola. Lá vai o pequenino Argentino, el conejo, na grande área, fazendo "gato sapato" de toda a defesa adversária. O pequenino é diabólico e já soltou a redondinha para Cardozo. Cardozo prepara o pontapé de primeira e fuzila sem piedade. É gooooooolo! Cardozo leva à loucura o Estádio da Luz"

Tudo em Latim, claro. Imaginem a surpresa dos historiadores quatro séculos depois a traduzir o meu sarcófago. "Contemporiza?", "redondinha?" "de certeza que estás a traduzir bem? e ... que tipo de gajo põe uma merda destas no seu sarcófago?" ... o tipo sacana, meus caros, o tipo sacana.





Ps- Percebes agora, RL, como é que se faz um relato?

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Porque insondáveis são os caminhos da blogosfera







Porque os caminhos da blogosfera são na verdade insondáveis e porque a vida vista no global tem um sentido de humor muito próprio (ou nas palavras de Chaplin "In the end everything is a gag"), assim fui eu parar a um café com vista para o Tejo conversar um pouco com a Clara. Qual Clara? Esta Clara. E esta Clara.

A Clara que tem um olhar que brilha e que investiu doze meses da sua vida para dar a volta ao mundo por EUR. 8.000,00. Sim, minha gente. Ainda há quem aceite o desafio de - com baixos custos, muito couch surfing e trabalhos ocasionais - percorrer o mundo numa permanente classe económica. Mais do que isso, fazendo-o com a atitude certa. Aquela que envolve respeito pelos outros, pelos seus pontos de vista, necessidades concretas e dramas que seriam precisamente os nossos tivéssemos porventura nascido naquela ponta do globo em particular e não em qualquer outra (o que nos leva de novo ao estranho sentido de humor que parece vindo de cima e a que eu gosto de me referir sumariamente como "piada cósmica").

E por falar em "piadas cósmicas", então não é que a tal Clara-com-o-olhar-que-brilha me diz algures entre a conversa e com um gesto simples "Sim. Tens razão. O Pacífico é O mais bonito que há sobre a Terra."? A mim, Clara?!! Que adormeço todos os dias a reflectir longamente sobre o mar azul turquesa e acordo a pensar que já há muito deveria estar a fazer as minhas sacananices na Austrália? Que sonho em montar uma escola de mergulho numa praia de areia branca, enquanto as gajas do Lost aparecem para me fazer massagens e ler em voz alta o Record ... apenas para me anunciar que o Benfica foi campeão europeu mais uma vez?

Sim. De facto, os caminhos da blogosfera, tal como os da vida, são insondáveis. E é muito por causa disso que este blog mantém portas abertas. Pelo irresistível apelo do desconhecido que sempre atrai tudo o que é verdadeiro sacana, independentemente do tamanho, idade e origem. Lugares e pessoas que só um blog obscuro sem motivo aparente poderia colocar no nosso caminho como se estivesse a piscar o olho suspirando "esta oportunidade é para ti ... it is meant to be". Acredito muito nisso.

Bons ventos para todos os sacanas. E muito óleo de massagens com sabor a coco para mim em particular. Just taking care of number one. (depois da minha avó, que fique claro).



Ps- Count me in. Levo o tabaco.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

A rua Sésamo 40 anos depois






é sempre triste sabermos que o Popas foi deslocalizado para um País de mão-de-obra barata.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Quando é que vamos perceber ...









... que a autoridade dos professores tem que ser por todos respeitada, valorizada, planeada, organizada e por fim agradecida? que sem eles não há futuro? Admite-se que pais queiram pressionar os professores? Direcções escolares que exigem um número mínimo de alunos obrigatoriamente passados?

Não digo isto a propósito da avaliação de professores - uma ideia com a qual estou absolutamente de acordo desde que envolva critérios objectivos, baseados no mérito e assiduidade, e válidos para todos os professores de Norte a Sul do País - mas apenas porque, na minha perspectiva de cidadão, considero que é motivo de vergonha nacional a forma como algumas profissões, a começar nos polícias e a acabar nos docentes, são tratadas.

Países há em que as escolas ainda se dão ao respeito. É começarmos por aí. Por copiarmos os modelos que funcionam (na Holanda por exemplo até uma padeira fala um Inglês melhor que quase todos os políticos e Presidentes de Conselho de Administração que temos). Com humildade, trabalho, sem sindicatos ou politiquices baratas.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

E o prémio "o amor acontece" vai para ...




Que nunca fizeram um muro suficientemente duro para oprimir perpetuamente a raça humana






Imagem do soldado Conrad Schumann a fugir para a Alemanha livre numa altura em que o "muro" ainda era feito de arame farpado. 15 Agosto 1961.




Breznev e Honecker. Dois lindos meninos.





Os doutrinadores socialistas haviam jurado que todos ficariam melhor assim. Com aquele muro que calava os pensamentos e vetava a circulação. Um muro que asfixiava e empobrecia. Um muro que roubava cada segundo de cada vida. Que adiava tudo. E sempre em nome de uma visão imposta a todos e que nunca na história dos tempos alguma vez resultara ou viria a resultar.



ou antes

"In a time of universal deceit, telling the truth is a revolutionary act" George Orwell




Ps- E pensar que tudo começou a acabar com um piquenique entre Húngaros e Austríacos. Aqui.


(eu sempre disse que a realidade é mais estranha do que a ficção)

domingo, 8 de Novembro de 2009

Detective Garcia, o gato ladra e o cão mia: Quem tramou o Noddy?




Limpava a Smith & Wesson com os pés em cima da minha secretária quando a minha assistente, a sempre pronunciada Pussy Maure, parou de limpar as unhas e entrou de rompante pelo meu gabinete.

- Detective Garcia, já está na hora de brincarmos aos "polícias e ladrões"? Desta vez quero fazer de Leonor Cipriano...

Era bronca como uma porta mas eu gostava dela assim.

- Hoje não, Pussy. Acabei de ler os desportivos. Tramaram o Noddy. Tenho que ir ver o que se passa.



Sai à rua e prontamente dei um golo no meu cantil de Bushmills. Afinal de contas tinha um encontro marcado com o Soares Franco, e nestas coisas é importante entrar no ritmo. Quando cheguei ao bar onde tínhamos combinado, já “muita água tinha passado debaixo da ponte”. Demasiada, na verdade, e de água propriamente dita tinha pouco. Via-se que havia sido um dia difícil. Depois de meia dúzia de balelas sobre scones e golf, decidi atalhar caminho:

- Ouve aqui, Franco. O que eu quero mesmo saber é quem é que tramou o Noddy? – e atirei a fotografia da outrora divertida personagem para cima do balcão.

O grande homem começou a chorar como uma criança. Não se percebia nada do que dizia. Balbuciava “números da dívida”, “negócios imobiliários falhados”, de como o Taveira os tinha tramado a todos, e acabava sempre as frases com a enigmática palavra “Titanic” ... Resolvi dar corda aos sapatos que aquilo parecia um fado do João Braga. Cheirava a desgraça mas não se percebia exactamente porquê.

Faltavam pistas e sobravam dúvidas. Mas ninguém passa a perna ao velho detective Garcia. Tinha descoberto pela CNN que nas montanhas de Alvalade vivia um fundamentalista da causa... o Dr. Dias Ferreira. 



Seguramente que aí conseguiria obter mais informações. Contudo, quando me encontrava à porta da caverna, o Dr. Dias Ferreira mandou anunciar pela criada que estava a rever a cassete Beta com a vitória dos 7-1 sobre o Benfica (época 1986/87) e que não tinha tempo para enviados do Jesus.

Perguntei à simpática mensageira se era frequente o eremita reagir assim, ao que ela me disse em tom de confidência:

- O Dr. anda muito estranho. Desde o empate em Alvalade com o Venstspills que o Dr passa o dia a repetir "o Benfica é merda!", "o Benfica é merda!"... "que fique claro que o Benfica é merda!".

Admito que fiquei intrigado. O que é que o Benfica teria a ver com a queda em desgraça do Noddy? Nada? ...Tudo? 

Cada vez mais questões assaltavam a minha mente de investigador. Era evidente que o pequeno Noddy nunca tivera hipótese. Alguém tramara o pequeno homem do guizo e eu tinha a certeza que era um trabalho de dentro. Senti-me revoltado. Cruel mundo este em que as pessoas não percebem que colocar em campo o Tonel para a posição de avançado no jogo contra a Fiorentina, poderia ter resultado (na Playstation, por exemplo, nunca falha). 

Prometi solenemente que esta era uma investigação que eu não iria largar. E tão compenetrado ía eu nos meus pensamentos, naquela noite de chuva em que regressava ao conforto de peitos amigos, que nem reparei numa parede cheia de grafitis onde se podia ler a palavra "forever". 



Nota: Todas as fotografias foram gentilmente gamadas ao blog Visconde Gay;

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Areia até aos ossos







Gostei muito de ter conhecido o Sahara. Adorei a areia fina que massaja os pés, a luz, a sensação de fim do mundo conhecido, habitado. Se formos com alguém especial pode até ser muito romântico, mas em qualquer circunstância é algo que não se esquece. Nunca estive em lado nenhum que tivesse um silêncio tão puro, nem mesmo o alto mar quando tudo está calmo.

Claro que, como sempre acontece, é preciso um tempo depois das viagens para pensar sobre o que se viu, avaliar, crescer. O Sahara em si não me mudou em nada. Continuo o mesmo sacana egoísta. Mas fiquei a gostar da ideia de imensidão. Não só não me assusta como acho que retempera. Precisamos de perder para apreciar e o deserto tem qualquer coisa que nos transpõe para as caravanas dos tempos do início da humanidade, quando não havia gps e quase tudo era divino.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O estranho caso de Fortune Chukwudi







Parece que o capitão da selecção nacional de futebol Nigeriana de Sub-17 tem afinal ... e pelo menos ... 25 aninhos. Para ler aqui e aqui.

Eu e o meu pai, quando estamos a ver bola juntos e vemos jogos dos juniores Portugueses, Espanhóis, etc contra a selecção do Gana, Nigéria, Costa do Marfim & Cia bem achamos estranho os pequenotes não ganharem as primeiras bolas, as segundas bolas, as terceiras bolas ... bem, não ganharem bolas nenhumas.

E tudo isto me lembra o caso do Leandro Lima, aquele engraçado jogador que o Fóculporto (esse clube tão transparente) foi buscar aqui há uns 4 anos ao Brasil e que foi apresentado como Leandrinho e mais tarde se veio a saber que era Leandrão ... (aqui)

Hilariante foi quando os jornalistas perguntaram à mãe "afinal em que ano nasceu o Leandrão?" e a própria mãe ter dito que não se lembrava ... claro, claro. Acontece muitas vezes, trazer uma criança no ventre nove meses, trabalho de parto, etc e depois esquecer-se em que ano é que tudo aconteceu. Era mais fácil perguntarem qual tinha sido a década, não é? Pois. Compreendo. Imagino que nem o próprio Pôncio Monteiro conseguisse lavrar uma certidão de nascimento igual àquela.

Porque o melhor do mundo são as crianças. Sempre me disseram.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Porque o pobre estado da nossa Justiça tem uma explicação e um rosto político ...




... e porque nos devemos sempre lembrar que uma justiça ineficaz - a tal que traz imoralidade à sociedade, nos confere uma imagem de País de terceiro mundo, e nos afasta de investimentos estrangeiros e de uma economia competitiva (se eu posso roubar porque é que tenho que trabalhar mais só para ser melhor?) - sempre aproveita a alguém, aqui fica esta pertinente citação de Mário Crespo, muito bem lembrada por este blog:

"(...)estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca."







Ps- em Fevereiro de 2008, quando este blog comecou, fiz este post. Achei engraçado.

And now for something completely different








Este gordo sempre foi um dos meus preferidos. "Para não ser guloso, está a perceber?"

In the end, the biggest drop is on me





Foi só muito tempo depois de ouvir repetidamente, por muitas auto-estradas e estradas nacionais, e desde há muitos anos a música "Hey" dos Pixies, a qual é uma das minhas bandas preferidas de sempre, que descobri algo surpreendente. Aquela música não era parecida com a minha vida. Aquela música era a minha vida, em particular a minha vida amorosa.

Os desencontros, o amar intensamente alguém mas mesmo assim tudo cair, ser amado por quem não amo, estar acorrentado a alguém que não me ama da mesma forma, o inadiável encontro de amores na altura errada da vida, as decisões essenciais que fizeram toda a diferença mas que poderiam ter facilmente sido em sentido oposto. Mas isso é ... "Hey"!





hey 
been trying to meet you
mmmmmm hmmmmm
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whore in my bed
but hey
where 
have you
been 
if you go i will surely die
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

uh said the man to the lady
mmmmmm hmmmm
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is 
the 
sound 
that THE MOTHER MAKES WHEN HER BABY breaks
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)
we're chained (chained)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Viagens de aventuras para o ano 2010










Porque só aquilo que vemos e respiramos in loco é que entra verdadeiramente dentro de nós, porque o mundo é uma ervilha, porque é enquanto temos saúde e forças que devemos tentar as viagens mais ousadas e finalmente porque os voos e as estadias sempre ficam mais baratos quando marcados com antecedência, vejam este artigo.

E se por acaso forem para a Papua Nova Guiné, pode ser que o gajo a fazer palhaçadas na água e a cantar em registo de fado o "foi um touro que o matoooooou..." até seja assim a dar para o Sacana. 




Ps. Uma das coisas detestáveis na vida dos solteiros é que nada parece feito à nossa medida. Já não bastavam as embalagens com porções industriais de alimentos no super-mercado, como ainda temos que "inchar" montes de suplementos por irmos sozinhos nas viagens.... joder coño joder.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

We need to talk about infertility







Depois da impotência, da homossexualidade e do eterno "a minha sogra é um boi", falar de infertilidade, sobretudo para os homens, é um dos temas mais difíceis que uma relação heterossexual adulta e consequente tem que enfrentar.

Mas há respostas. Aqui. Ou num médico perto de si. E nada me apraz mais do que a ideia de bons e boas sacanas a dedicarem o seu tempo à produção eficaz de pequenos sacanóides, daqueles capazes de semear o pânico desde a maternidade ao lar de terceira idade. You go and make Pulha proud.







Sobre a beleza na Bíblia











Sobre a ignorância de Saramago (para não falar em desrespeito infame perante uma religião de milhões, ou no propósito comercial de vender melhor o seu livrozeco valendo tudo para tal efeito) já Richard Zimler, muito melhor que qualquer outro, escreveu aqui.

Mas este fim-de-semana, enquanto folheava "A leitura infinita" de José Tolentino Mendonça (editado pela Assírio & Alvim), deparei-me com isto. Pareceu-me por demais belo, simples e intemporal.

GEN 29, 17 C - 20

"Raquel era esbelta e de belo rosto. Jacob amava Raquel e disse a Labão "servir-te-ei sete anos por Raquel, a tua filha mais nova". Labão respondeu: "Melhor é dar-ta a ti do que a qualquer outro. Fica em minha casa". E Jacob serviu por Raquel sete anos, que lhe pareceram apenas alguns dias, tanto era o amor que por ela sentia".


Quem ama, serve por quem ama.




PS - Quando regressei a Lisboa (estive a Sul) dei uma olhada na Bíblia para confirmar este trecho. Descobri (eu não tenho qualquer educação religiosa) que não só era exactamente assim, como igualmente que Labão na altura de dar a mão de Raquel a Jacob, exigiu deste sete anos adicionais de trabalho (sob o argumento de que os primeiros sete anos apenas lhe "davam" direito a Lia, a filha mais velha). Mas Jacob, que amava Raquel profundamente, aceitou. E foram felizes.

domingo, 1 de Novembro de 2009

The true Mr. Wolf










É demasiado fácil fazerem-se elogios póstumos. E não poucas vezes cobarde também. "Se a pessoa era assim tão boa porque é que nunca lhe disseram isso enquanto andava por cá?". Touché. Por esses e outros motivos prefiro abster-me de comentar notícias fúnebres.

Sucede todavia que o António Sérgio me acompanhou em muitas noites da minha vida. Tinha uma voz nocturna que soava a Deus. Que nos tocava. Que era intimista. E uma escolha de músicas que realmente se destacava numa rádio Portuguesa tão vendida ao comercial, ao fácil e ao medíocre. Mesmo sabendo que o António Sérgio será recordado por ser visionário, eu gostava especialmente era quando passava blues da velha escola ou rock da pesada, coisas que o tempo se encarregara de arquivar mas que o António sabia que os apreciadores de boas malhas não poderiam deixar de adorar. Eu sempre gostei daqueles que pensam pela sua cabeça e se demarcam das exigências das massas. 

See you around, Wolf.